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09/03/2010 - 09h10
Polícia indicia Raimundo Queiroz por irregularidades no Goiás
Ex-presidente do clube, dois ex-diretores e duas outras pessoas são acusadas de atos ilegais

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

Titular do 8º Distrito Policial (DP) de Goiânia, o delegado Manoel Borges anunciou ontem o indiciamento do ex-presidente do Goiás, Raimundo Joaquim Queiroz e mais quatro pessoas, entre elas dois ex-diretores do clube, Sílvio de Oliveira e Antônio Fernando Guardiano Mundim.

Eles são acusados de estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica, crimes contra ordem tributária, agiotagem e de lavagem de dinheiro. Segundo o delegado do 8º DP, o prejuízo do clube pode chegar a R$ 30 milhões.

A pedido da atual diretoria do Goiás, a polícia civil investiga desde dezembro de 2009 vários atos praticados por Raimundo Queiroz no período em que presidiu o clube – janeiro de 2003 a janeiro de 2006. As investigações começaram a partir do levantamento preliminar realizado no fim de 2007 pelo Conselho Fiscal do clube e do resultado da auditoria assinada pela empresa Terco Grant Thorton.

Nas duas situações foram apontados pelo menos 14 pontos de irregularidades, como empréstimos não contabilizados, uso indevido de cartão corporativo e a venda de títulos de sócios. O inquérito tem mais de mil páginas divididas em três volumes.

Além dos três ex-dirigentes, ainda são alvo das investigações duas outras pessoas: Adilson Antônio Villarinho Braga, sócio-proprietário do Goiás, e Renato Padilha Pereira, empresário do Sul do País. Eles teriam participado de contratos irregulares de empréstimos para o clube.

Juros

Adilson teria cedido seu nome para assinar um contrato de R$ 346 mil a juros de 3,95% ao mês, bem acima dos valores de mercado. O cheque para quitar o empréstimo, com vencimento para janeiro de 2007, foi assinado por Raimundo Queiroz, já acrescido de juros, e depositado na conta da Placar Assessoria de Marketing Ltda., empresa do próprio Raimundo Queiroz.

Renato Padilha aparece como o proprietário da J.F. Esporte Ltda, empresa sediada em Ivoti (RS), que teria celebrado com o Goiás três contratos de empréstimos que, somados, superam R$ 1,6 milhão. Investigações mostram que a empresa é fantasma. No endereço citado como o da sede de empresa, há um matagal comprovado por fotografias anexadas ao inquérito. “Este valor não consta da contabilidade do Goiás”, diz o delegado.

Para o delegado, os contratos infringiram o estatuto do clube que prevê, em seu artigo 55, a assinatura do diretor financeiro nesse tipo de operação. “Ele fez contratos por conta própria”, explica o delegado. Mesmo tendo mencionado um endereço fantasma, a J.F. Esporte protocolou na comarca de Porto Alegre uma Ação de Execução de Título Extrajudicial, contra o Goiás, tentando receber R$ 1,6 milhão, valor que teria sido “emprestado”. Conforme a polícia civil, o Goiás teria vinculado à operação a venda do atacante Welliton no valor de R$ 15 milhões. “Se esse valor não foi contabilizado, como uma empresa pode se dizer credora?”, indaga o delegado.

Empréstimo

Outra comprovação das investigações é um contrato de empréstimo no último dia da gestão de Raimundo à frente do Goiás junto ao BIC Banco. Alegando que o Goiás estava sem prestígio junto a instituições financeiras no Estado, o ex-presidente teria contraído R$ 1,2 milhão no banco para supostamente quitar dívidas do clube. “Ele deu como garantia a cota que o clube possuia junto à Rede Globo de Televisão para transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro”, disse o delegado. Foi apurado que Raimundo Queiroz teria gasto mais de R$ 500 mil usando o cartão corporativo do clube sem nenhuma espécie de comprovação fiscal.

De acordo com o delegado Manoel Borges, comprovadamente as discrepâncias entre ativo e passivo do Goiás na gestão de Raimundo Queiroz já revelaram um prejuízo superior a R$ 20 milhões ao clube. “Acredito que até o término das investigações pode chegar a R$ 30 milhões”. O delegado disse que vai pedir a quebra de sigilo fiscal e bancário de todos os envolvidos.



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