Na sua opinião quem será o próximo Governador de Goiás?

Iris Resende (PMDB)
Marconi Perillo (PSDB)
Vanderlan Cardoso (PR)

 
  
  
 
 
  
09/03/2010 - 09h04
Cesta básica de Goiânia foi a única a ter queda no País
Dieese mostra que cesta da capital goiana apresentou índice negativo de 4,55% em fevereiro

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

Para a surpresa do consumidor que acompanhou a alta dos alimentos nas últimas semanas, Goiânia registrou em fevereiro o único índice negativo do País no preço da cesta básica, que ficou R$ 9,08 mais barata (-4,55%), em comparação com janeiro - baixou de R$ 199,71 para R$ 190,63.

Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese). Dos 13 itens pesquisados, sete apresentaram queda, com destaque para a batata (-33,83%), carne (-6,26%) e tomate (-6,06%).

Preços

Segundo a coordenadora-técnica do Dieese em Goiás, Leila Brito, os dados não contradizem a disparada de preços de alguns gêneros alimentícios, em especial de hortifruti, apontada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Secretaria de Planejamento de Goiás (Seplan-GO).

Segundo Leila Brito, a pesquisa da cesta básica é realizada na penúltima semana do mês e o encarecimento dos produtos só ocorreu em seguida, principalmente nos últimos dias de fevereiro e início de março.

“É provável que essa alta se reflita no próximo levantamento da cesta, que vai verificar a variação deste mês”, ressalta. Por outro lado, ela não soube explicar porque a situação em Goiânia difere das outras 16 capitais pesquisadas pelo Dieese, onde o grupo de alimentos teve alta no mesmo período. Contudo, Leila Brito ressalta que, por se tratar de um levantamento restrito a itens alimentícios, o preço da cesta fica muito suscetível a fatores climáticos.

Demanda

Além disso, há interferência da demanda de mercado e estoque de mercadorias. No caso da carne - um dos itens de maior peso no consumo da cesta -, o barateamento é explicado pelo Dieese pela grande oferta do produto no País, já que, com a abundância das chuvas e a manutenção das pastagens, as condições são favoráveis para a engorda do gado, o que possibilita atender ao mercado interno e às exportações.

Já para o presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Manoel Caixeta Haun, há outras duas explicações: aumento da oferta de carne no País se deve à redução nas exportações e também da diminuição do consumo nacional em função das altas expressivas de preço de dezembro para janeiro. “E para desovar esse produto, as indústrias de carne tiveram de retomar preços mais baixos”, frisa.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Carnes Frescas no Estado de Goiás (Sindiaçougues), Francisco Alvares, ainda faz outra observação. Segundo ele, muitos supermercados encabeçam promoções para conseguir se desfazer do estoque de mercadoria com qualidade inferior e próximo do vencimento de validade.

“É preciso que o consumidor fique atento a situações como esta, para não comprar carne sem procedência e de má qualidade”, alerta.

Entre os alimentos que ficaram mais caros, o destaque é para a manteiga, cujo preço subiu 5,19%. Açúcar, café, farinha e leite também foram reajustados.

Comparação

No mês passado, Goiânia teve o quinto menor preço de cesta básica (R$ 190,63), atrás apenas de Aracaju (R$ 169,57), Fortaleza (R$ 176,89), João Pessoa (R$ 179,28) e Recife (R$ 184,08). Em comparação com fevereiro de 2009, a queda foi de R$ 20,48 (-9,7%), seguindo uma tendência nacional. Na ocasião, o custo dos 13 itens de alimentos era de R$ 211,11.

O valor da cesta em Goiânia comprometeu, em fevereiro, 40,63% do rendimento de um trabalhador que ganha um salário mínimo. A jornada de trabalho necessária para a compra dos produtos é de 82 horas e 14 minutos.

O Dieese calculou que o salário mínimo deveria estar em R$ 2.003,30, 3,92 vezes o valor do atual (R$ 510,00), levando-se em conta a determinação constitucional.

Em janeiro, o mínimo calculado ficou em R$ 1.987,26, 3,90 vezes o atual mínimo. Em fevereiro de 2009, em R$ 2.075,55, 4,46 vezes o mínimo da época (R$ 465,00).



Imprimir Fonte:
Imprimir essa página Popular