Os produtores de milho de Goiás teriam tudo para comemorar uma boa colheita nesta safra, de 4 milhões de toneladas. Contudo, eles amargam com os preços baixos do produto, em torno de R$ 13,50 a saca de 60 quilos, enquanto o custo médio de produção é de R$ 17,81, e com a falta de silos para armazenar os grãos.
Diante desse impasse, a Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg) está lutando junto ao governo federal para remover as 880 mil toneladas de milho, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de um total de 1,5 milhão de toneladas que estão abarrotando os armazéns goianos. Do total do grão, 70% estão estocados na região Sudoeste do Estado.
“Quando começar mos a colher as lavouras da safrinha, a partir de maio, a situação ficará ainda mais complicada. Tememos inclusive que teremos de fazer estocagem a céu aberto, afetando a qualidade dos grãos”, prevê o presidente da Faeg, José Mário Schreiner.
A maior cooperativa de agricultores do Centro-Oeste, a Comigo, poderá ser obrigada a deixar de receber os grãos que inicialmente tinha previsto, por falta de silos, apesar de ter ampliado a capacidade de armazenagem.
O presidente da Comigo, Antônio Chavaglia, em entrevista à Reuters, afirmou que se o governo não remover o milho dos silos da cooperativa a armazenagem desta safra e da safrinha será um caos este ano. Goiás vai produzir 4 milhões de toneladas para um consumo de 3,2 milhões de toneladas. Além disso, conta com os estoques da safra passada de mais 1,5 milhão de toneladas, totalizando assim 5,5 milhões de toneladas.
Leilão
A sugestão das diretorias da Faeg e da Comigo é que o governo faça um leilão de prêmio de escoamento para incentivar o transporte do milho já vendido à Conab. Esses leilões já estão ocorrendo na Bahia. Atualmente, o custo do frete para as regiões consumidoras representa cerca de metade do que vale o milho em sua região produtora.
Esse cenário, segundo Chavaglia, ilustra bem a situação de estoques elevados de milho, não apenas em Goiás, mas em outras partes do País, em meio às cotações inferiores aos preços mínimos estabelecidos pelo governo, de R$ 17,46, o que limita o interesse de venda e mostra também como o Brasil ainda sofre com o déficit de armazenagem.
O presidente da Faeg conta que, desde dezembro, vem negociando com o governo a remoção dos seus estoques de milho dos armazéns de Goiás e a manutenção dos preços mínimos de garantia (R$ 17,46 a saca de 60 quilos).
Contudo, a alegação do governo é que faltam recursos para a operação. Atualmente, o governo está garantindo apenas a aquisição de 10 mil sacas de milho por produtor, pagando o preço mínimo de garantia, de R$ 17,46.