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09/03/2010 - 08h53
Lacen confirma bactérias no Huapa
Nove tipos de bactérias foram identificadas nos pacientes contaminados. Quatro delas são resistentes

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

Os exames feitos pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) que confirmaram a existência de um surto de infecção hospitalar no Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia (Huapa) identificaram a presença de nove tipos de bactérias nos pacientes contaminados, que passam a ser investigadas agora pela comissão formada ontem para tentar debelar o surto. Coordenador da comissão integrada por quatro médicos infectologistas e quatro enfermeiros, o diretor geral do Hospital de Doenças Tropicais (HDT), Boaventura Braz de Queiroz, confirmou ao POPULAR que pelo menos quatro desses germes são multirresistentes, com índice de letalidade de pacientes de até 68%.

As bactérias Pseudomonas aeruginosa e Klebsiela pneumoniae, identificadas em pacientes que morreram na unidade de terapia intensiva (UTI) do Huapa, são multirresistentes e provocam infecção hospitalar, segundo o médico infectologista Boaventura Braz. Já a Staphylococcus coagulose negativa é a segunda mais frequente nos casos de pneumonia e, conforme o diretor do HDT, “complica-se num ambiente hospitalar”. “Num hospital, essas bactérias ficam mais resistentes por causa dos antibióticos administrados aos pacientes.”
A bactéria que mais pode ter matado pacientes no Huapa é a Acinetobacter baumannii, também multirresistente e altamente letal. Conforme relatório da Superintendência de Vigilância Sanitária e Ambiental (Svisa), 59 pacientes se contaminaram com esse germe e 40 morreram.

A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Huapa minimizou a interferência dessa grande quantidade de bactérias identificadas nos exames do Lacen para a saúde dos pacientes que contraíram infecção hospitalar. Mas, agora, todos esses germes serão investigados pela comissão formada por determinação da Secretaria Estadual de Saúde (SES), a partir de revisão dos prontuários de todos os pacientes contaminados. Boa parte das pessoas que contraíram infecção hospitalar no Huapa foi contaminada por mais de um tipo de bactéria, principalmente pelas multirresistentes. Há casos de até quatro bactérias num mesmo paciente.

Depois de O POPULAR revelar no domingo, com exclusividade, a ocorrência de um surto de infecção hospitalar no Huapa, a SES determinou a suspensão de novas internações na unidade, no mesmo dia em que a reportagem foi publicada. A medida vale por, pelo menos, duas semanas. Também foi constituída a comissão que tentará dimensionar o tamanho do surto e debelá-lo. Medidas de melhora no hospital, principalmente ampliação das condições de limpeza, já foram anunciadas.

Entre janeiro de 2009 e janeiro deste ano, 126 pacientes do Huapa se contaminaram com bactérias multirresistentes, causadoras de infecção hospitalar. O ritmo da contaminação cresceu ao longo de 2009 e, nos 13 meses analisados, 83 pessoas morreram após o desenvolvimento da infecção, conforme informação prestada pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Huapa à Svisa. A bactéria mais letal é a Acinetobacter baumannii, principal foco das investigações conduzidas pela comissão formada.

Os médicos infectologistas e enfermeiros designados pela SES passaram o dia ontem no Huapa. Eles avaliaram as condições de higiene e os procedimentos adotados no centro cirúrgico, na UTI e na central de esterilização de instrumentos do hospital. “Percebemos problemas com o fluxo de material e, no caso da limpeza, é preciso melhorar bem”, diz o coordenador da comissão, Boaventura Braz. “Vamos discutir com a direção do hospital a adoção de normas mais rigorosas.”
O infectologista diz que investiga a possibilidade de vários surtos de infecção hospitalar estarem ocorrendo no Huapa, em razão da presença de diferentes tipos de bactérias multirresistentes. “Esses germes acometem pacientes em estado muito grave. Os antibióticos pesados que são administrados acabam gerando bastante resistência.” Para Boaventura, se bactérias multirresistentes persistem por mais de um ano no hospital, “algumas normas estavam sendo quebradas”.

Os mais de 50 pacientes que já estavam no Huapa antes da suspensão das novas internações permanecem na unidade até receberem alta médica, segundo a superintendente de Atenção à Saúde da SES, Maria das Graças Ribeiro. Ela acredita que o surto vai ser debelado em duas semanas, período em que o hospital deixa de receber novos pacientes.

A taxa de infecção hospitalar no Huapa já chegou a 88,23%, em abril do ano passado. O índice tolerado, segundo Boaventura Braz, é de 8% numa UTI. Foi na UTI do Huapa que o surto teve início. As bactérias já chegaram às enfermarias, segundo relatório da Svisa concluído no último mês de dezembro.



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